Hoje temos uma entrevista com a banda holandesa Asrai.
Vanessa Versiani: Começando com informações básicas. Fale sobre você, nos conte seu nome, idade, profissão, cidade onde vive e outras informações importantes sobre você.
Margriet: Meu nome é Margriet, eu vivo em Schiedam e trabalho com jovens desabrigados e você me conhece como cantora do Asrai.
Karin: Meu nome é Karin. Não se deve perguntar a idade de uma mulher.
Eu vivo em Schiedam, que é próximo a Rotterdam, onde trabalho num laboratório de um hospital universitário. O mais importante ou pelo menos o mais divertido é ser baterista do Asrai.
Manon: Meu nome é Manon, eu também vivo em Schiedam e trabalho com crianças pequenas e seus familiares. E eu toco teclados no Asrai.
Martin: Meu nome é Martin e estou apenas uns poucos anos distante dos 100 anos. Minha profissão é fazer drogas (Não! Apenas as drogas legais) e vivo em Rotterdam… e o mais importante sobre mim é o fato de eu ser baixista do Asrai.
Rik: Bem, então eu deveria ser Rik. Eu vivo em Den Haag e trabalho numa companhia de seguros. Eu não sou tão velho, digamos que tenho 98. Eu sou vegetariano em tempo integral e gosto de torturar minhas guitarras e cair em bares por aí… oops!
Vanessa Versiani: Qual estilo musical você toca? Pq escolheu este estilo?
Asrai: O estilo musical que tocamos é o gothrock(‘n’roll) que fazemos com o Asrai… e nós não escolhemos este estilo mas este estilo nos escolheu há muuuuuuuuito tempo.
Vanessa Versiani: Quando você começou a trabalhar com musica? Como você lida com sua imagem pessoal depois de ter começado sua carreira musical? Você acha importante para músicos o cuidado com sua imagem pessoal e aparência?
Margriet: Junto com Karin, eu comecei a banda nos anos 80. Lá iniciei minha carreira como cantora. É claro que é importante tomar cuidado com sua imagem pessoal; dá uma cara para a musica. Eu estou vestindo preto, sentindo mais confortável com as roupas. Para mim há uma co-dependência.
Rik: Eu comecei tocando guitarra nos anos 80. Apenas tocando cordas como Johnny Ramone. Eu odeio solos de guitarra então era muito divertido. Minha cor preferida é preto, então estou feliz nesta banda. Eu não tenho de gastar tempo com minha imagem pessoal. Eu sou tão natural!
Manon: Minha imagem pessoal é algo que foi formado crescendo, não entrando numa banda. É algo que continua crescendo e mudando através dos anos.
Martin: Bem, eu comecei como um musico de punk rock no início dos anos 80 e me envolvi nisso no que fazemos agora (ainda amo o fim dos anos 70 e o punk rock dos anos 80, death rock e new wave).
Karin: Eu comecei tocando na banda nos anos 80 como guitarrista. Eu fiz isso por 3 anos… Depois disso comecei a tocar bateria e nunca mais fiz outra coisa. É claro que a imagem pessoal é importante… Eu gosto quando alguém está bem vestido, especialmente no palco… Isso dá um brilho extra ao show, mesmo a musica sendo ainda a coisa mais importante. Minha imagem pessoal tem mudado mas está se tornando mais pratica. Tocando guitarra, eu poderia estar no palco com uma saia apertada, embora saltos altos não fossem um sucesso. Eu não poderia andar apos o show. Estar atrás da bateria com algumas lâmpadas quentes queimando em seu pescoço, requer roupas mais confortáveis que se tornam saias largas e sem látex ou couro. Mas isso não quer dizer que eu não goste de usá-los.
Vanessa Versiani: O que significa moda para você?
Margriet: Eu gosto de ver quando as pessoas estão bem vestidas, o que significa que elas vestem algo que realmente lhes serve e está de acordo com sua personalidade. E isso significa que pessoas não tem de seguir as tendências de moda. Eu gosto de ver que o q o estilo se torna nas ruas, pelas subculturas e não pela industria da moda… Na maioria das vezes essas idéias serão escolhidos pela industria de moda.
Rik: Eu conheço uma grande loja em Rotterdam que faz roupas de látex. Não é realmente uma “coisa fashion”. Pessoas deveriam vestir do jeito que elas gostam, então a moda não me interessa.
Manon: Eu não me importo com moda. Eu apenas me importo com estilos que eu gosto. E coisas que eu quero vestir. Eu gosto quando pessoas são totalmente pelo seu estilo.
Martin: Não acho que eu esteja na moda. Eu não vou vestir algo porque alguém me disse para fazer isso, porque é o última moda ou tendência. Eu apenas visto o que eu gosto e realmente não me importo se está na moda… embora… eu esteja aberto para sugestões. Mas ainda: caras bons sempre usam preto!
Karin: Moda não significa tanto para mim, embora eu tente me manter um pouco atualizada. Então eu sei o que eu posso esperar nas lojas.. E toda vez eu fico desapontada com isso. Quando algo poderia ser legal eles usam fibras de má qualidade… e nem todo mundo fica bem nas tendências daquela estação. E eles tentam desesperadamente servir naquelas roupas que não lhes servem de modo algum. E no fim são todos vitimas da moda. Para mim, é importante combinar as partes que podem expressar quem você é.
Vanessa Versiani: Qual seu estilo pessoal? Como você costuma se vestir ou o que você costuma vestir? No dia-a-dia você usa o mesmo tipo de roupa que você usa nos shows e compromissos profissionais? Se você disse não, me conte como é diferente e o que faz a diferença entre suas roupas do dia-a-dia e as roupas para compromissos profissionais.
Margriet: Eu não me comprometo, isso é o que sou. É pegar ou largar. (Isso inclui o trabalho também).
Manon: Não tem muita diferença entre minhas roupas de dia e as roupas de palco. Pro palco eu capricho um pouco mais que pro trabalho.
Rik: Apenas me visto de preto. Por razões óbvias eu não uso látex no trabalho.
Martin: Meu estilo pessoal?… é pessoal? Não, eu não uso as mesmas roupas na vida diária como me visto para um show mas não há uma GRANDE diferença, na realidade.
Karin: Meu estilo pessoal é o que você vê nas fotos… Meu cabelo em dois rabos de cavalo (também práticos no trabalho)… Eu gosto de detalhes, no meu visual. Presto atenção em jóias e roupas… Deveria ser uma chama. E, é claro que há algumas diferenças entre roupas pra ir ao trabalho ou para sair e as de usar no palco. Mas o estilo é o mesmo. Eu não quero me comprometer, você nunca me vê em jeans. Isso não melhora meu trabalho. ☺… É legal se vestir melhor para um show ou pra sair. Dá um extra ao dia/fim de dia.
Vanessa Versiani: Você já teve algum consultor de moda, consultor de imagem ou personal stylist para te ajudar? Se já teve, me conte porque e o que você pensou do trabalho desta pessoa. Se você disse não, me diga porque. Esta questão você pode responder sobre experiências pessoais e profissionais.
Margriet: Não, nunca tive um consultor, embora juntos nós procuremos isso. O que funciona no palco você tem de pensar sobre um palco alto e camisetas curtas, sapatos onde você não pise em falso… e alguns materiais que sejam divertidos com o efeito das luzes. Uma pena que você sempre veja aquilo nas fotos, o que é bem tarde…
Rik: Eu sou meu próprio consultor de moda. Não preciso de ajuda alguma.
Manon: Sem consultor ou algo assim. Como eu disse antes é algo que cresce com os anos e forma você.
Martin: Não, eu nunca tive nenhum consultor… Bem talvez as garotas do Asrai tenham me prestado consultoria apenas um pouquinho no passado hahaha.
Karin: Eu nunca tive um consultor, embora eu seja curiosa sobre como isso seria.
Vanessa Versiani: Quais as mais importantes tendências de moda onde você vive? Como é o estilo de vestir de outros músicos que tocam o mesmo estilo musical de vocês (pelo mundo)? Como isso influencia seu jeito de vestir?
Margriet: Eu não sou influenciada por outros músicos.
Martin: Não.
Rik: Não há.
Karin: Eu não sou influenciada por outros músicos e pra ser honesta, a maioria das bandas holandesas não são tão bem vestidas. Então elas não me inspiram de modo algum. O que faço é uma combinação de doce e agressivo, uma vez que eles descrevem nossa musica dessa forma. E eu acho que isso se encaixa bem em nós. Rosas e caveiras e, é claro, sempre vestindo preto.
Manon: Eu não tenho idéia e eu não sou influenciada por isso.
Vanessa Versiani: O que você diria a alguém que quer trabalhar com musica (sobre imagem, carreira, etc)?
Margriet: Mantenha seus pés no chão… mantenha o foco no que você acredita.
Rik: Ponha sua alma na musica. (Enquanto não quiser desistir).
Manon: Seja você mesmo. Fica na cara quando você é falso. Tenha coragem de ser diferente e destaque-se.
Martin: Seja verdadeiro pra você mesmo, mas você pode fantasiar um pouco.
Karin: Fazer musica vem do coração, como eu disse antes ainda é a coisa mais importante. E, é claro, a imagem faz parte de ser um musico. Eu gosto quando alguém está bem vestido, mas isso deveria ser uma expressão da personalidade daquela pessoa. E não apenas estar vestido daquele jeito porque outras pessoas esperam que você use certas roupas. Para mim é importante permanecer próximo de si mesmo. Também no jeito que você se veste. Uma vez eu vi uma conhecida banda gótica holandesa na rua usando roupas de estilo hippie… Depois de mudanças eles começaram a usar roupas de couro e você via que a banda tinha sido estilizada. Isso não é pra mim, de modo algum!… Vestir pra impressionar, mas não em excesso. Você tem de estar confortável com isso.
Vanessa Versiani: Muito obrigada, garotos e garotas! Espero vê-los no Brasil em breve!
Eu acho muito importante essa entrevista para pensar e falar sobre esta banda pois eles tem um estilo forte. E personalidade muito forte.
Eu acho que personalidade forte é o primeiro passo para uma pessoa ter seu próprio estilo. É necessário se você quer mais que seguir tendências de moda ou ignora-las.
Esta entrevista é ótima porque às vezes você tem vergonha de usar algo que gosta e pode preferir nao usar aquilo pensando sobre o que os outros vão dizer. Eu acho o Asrai um ótimo exemplo de ser quem você é e vestir o que você quer. Como Margriet disse, “é pegar ou largar”. Você não precisa de fingir ser outro tipo de pessoa. Você apenas tem de ser você.
Se você esta curioso pra saber mais sobre esta banda veja este show e o perfil deles no My Space.